Abril 04 2007

Todos temos realmente pontos de vista bem diferentes e distintos. Mais apreciados, merecedores de discórdias ou discussões, elogiados, admirados ou simplesmente desdenhados, os pontos de vista, pensamentos traduzidos em palavras e gestos, são o reflexo do que sabemos saber e daquilo que bem ou mal vamos transmitindo ao outro, que vai conhecendo e compreendendo ou não, aquilo que somos. Claro que mais importante do que ser é sentir, e por vezes os pontos de vista, tal como muita coisa na vida, não se percebe acabando apenas por se sentir.

Somos o que vivemos, o que aprendemos, o que vemos, o que retemos, o que gostamos, o que fazemos, o que mostramos, o que sentimos, o que pensamos, somos e possuímos pontos de vista. Por vezes perto, por vezes longe, olhamos sem ver e passamos sem continuar a perceber e a sentir ou respeitar o outro, só porque é diferente, tal como cada um de nós. E catalogamos os pontos de vista, o tal cartão de identidade que nos faz seleccionar, quase que por necessidade cada pessoa que vai entrando ou saindo da nossa vida e dos nossos horizontes. Assuntos, perspectivas, diferentes ângulos e realidades, sem importar transformar, mas antes ouvir para tentar compreender, sem julgar ou augurar. Afinal tudo o que é diferente, merece destaque, se não vejamos. Porque gostamos tanto das misturas? Sim, das misturas das diferenças? A mistura de sabores, de cores, de sons, de culturas, de cenários, de roupas, de gostos, de imagens, de cheiros, de letras, de raças...e não serão os pontos de vista reflexo das nossas misturas quotidianas? Dos nossos embrenhados de sensações e visões? Não serão os pontos de vista, apenas os cenários que vamos construindo com o palco que nos dão, todos os dias? Realidades diferentes, gostos e desejos desiguais, pessoas distintas com perspectivas actuais, oportunidades independentes, interesses fundamentais. Talvez nem faça sentido, mas são apenas pontos de vista, num mundo onde nada é igual. E por vezes para se ver de perto com toda a nitidez é importante e imprescindível olhar de longe, mirar afastado. Para se avançar é quase sempre melhorar recuar.

Pontos, acções, assuntos, argumentos, apoios, atenções, vistas, advertências, aparências, desígnios, diferenças, opiniões, soluções, perspectivas, realidades, aprendizagens...

...nem tudo o que é diferente é banal, nem tudo o que é igual é natural, mas são apenas pontos de vista, parecidos, iguais ou diferentes dos teus...porque todos somos na verdade, pessoas bem distintas e até mesmo semelhantes. As pessoas inteligentes, costumam falar de ideias, as comuns costumam falar sobre coisas e as pessoas medíocres falam sobre pessoas...mas afinal, e como diz Marcel Proust, “a verdadeira viagem de descobrimentos, não consiste em procurar novas paisagens, mas sim em ter novos olhos”, acrescentaria, em ter na verdade novos olhares, novas conversas e ideias, novos pontos de vista.

 

publicado por bailys às 14:20

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