Dezembro 17 2008

 

Como se não conseguisse estruturar esta mistura em que me encontro. Pedaços compostos de oportunidades, novos lugares, tudo nas minhas mãos. Preciso de um pedaço do mundo para poder me encontrar onde dizes não teres partido nem chegado. Preciso de mais e de diferentes sítios no meu horizonte, no meu caminho onde não passo nem rabisco. Como se o mar não estivesse lá à espera de ser conquistado e ao mesmo tempo me dissesse que a tomada já fora além do tempo. Daquele que precisamos para podermos escutar e sentir, para podermos esclarecer a fúria salgada da água a bater na areia. Será distúrbio? Ou será na escuridão que melhor se podem ver as estrelas? Não sei, talvez…na certeza porém de que tudo passa…nada fica no sítio e tudo volta ao seu lugar… Quimeras bloqueadas pela comparência de uma ausência escolhida que embarga as elucidações granjeadas, esperadas, demoradas, antigas.
Como se não conseguisse compor, apenas contemplar a mera recordação de tudo o que já faz sentido, do que mexeu, do que ficou, do que se conquistou, do que não se sabia e não se consegue ainda interpretar. Como se não conseguisse escrever verdadeiramente…
publicado por bailys às 23:03

Novembro 07 2008

 

Mais umas horas mais umas vidas
E ainda tanto por fazer
Por conquistar
Por receber
Cansada do nada ser nada
Bagatela flutuante
Entre misérias consideradas
De tudo ser igual
Banal sem sentidos
Sem rumores
Sem destinos
Enfadada com desfiles dianteiros
E rumores arrebatados
Dos dias e das noites
E dos anos longos de menos
Visão atormentada
Inculcamento desfigurado
Ansiedade, desmazelo, vaidade
Medo, acomodação e vontade
Misturas do ser em mim
Evitações sem ligações
No desfazer do que nunca fui
Apertos, fatalidades, isolamentos
Projecções despedaçadas
Sem projectos esperançosos
Sem remorsos, sem castigos
Sem tempos para controlar
Numa infinidade de situações
De minutos e dias
De horas e noitadas
De quereres e de nadas…
 
 
 
publicado por bailys às 21:10

Novembro 01 2008

 

Como se tudo

Fosse um ciclo

Sem estruturas, só pilares

Renovado a cada dia

A cada nova estação

Tudo se repete

No nosso imaginário

Na nossa ampliação

Tudo muda de cenário

Embranquecendo a cada novo renascer

A cada novo respirar

Permanecer, aguentar

Fantasiar, desesperar

Tudo repetido

Tudo desigual

Como se já tivéssemos vivido

Passado, castigado, adorado

Tudo outra vez

Recomeçar a cada dia

Confiar em cada novo luar

Como se nada fizesse sentido

E o norte e o sul fossem

Dois pólos de mim mesma

No ciclo de uma repetição

À muito repetida

Implorada e sem perdão

Ciclos, repetições

Sem sentido

Sem variações

Iguais, especiais

Repartidas, partilhadas

Repetidas, enraizadas

Submetidas, vivenciadas

 

publicado por bailys às 18:29

Outubro 21 2008

 

Há fazes da vida

Em que achamos tudo importante

E a importância é tão pouca

Que quase nada chega a ter valor

 

Há fazes da vida

Em que queremos muito

E o nada é sempre pouco

E o pouco é quase sempre nada

 

Há fazes da vida

Em que sonhamos ter

E pouco fazemos para ser

Em que a realidade nos demuda

E sentir o que desejamos é tão real quanto banal

 

Há fazes da vida

Em que o mundo acaba amanha

Hoje já é tardio

E ontem ainda não passou

 

Há fazes da vida

Olhando para traz

Que choramos pelo que não somos

E sorrimos pelo que conseguimos ressumbrar

 

Há fazes da vida

Em que as palavras são esquecidas

Os actos omitidos

E o sentido invertido

 

Há fazes da vida

Vivida em fazes iguais

Lados, perspectivas, ilusões

Pontos, planos e dimensões

 

Há realmente fazes na vida

Em que a vida é consumada em fazes

Distantes, reais, longínquas

Banais, iguais, especiais

Que não deixam de ser vividas

Por etapas multidirecionais

Repetidas, inovadoras e desiguais.

publicado por bailys às 11:30

Outubro 13 2008

 

 

Deixaste-me a pensar…conseguis-te o que poucos conseguem, mesmo não sendo teu desígnio. Obrigaste-me a cogitar sobre a minha acomodação para com o mundo que fui construindo, que tento melhorar. Talvez sejam escolhas, talvez não possamos definir, talvez sejam com toda a certeza pormenores da tua visão sobre mim. Um espelho sem vaidades onde a simplicidade se revela básica mas surpreendente. Básica mas duplamente personalizável, como se fossem pessoas diferentes à procura do mesmo. Quantas vezes já me viste a tentar, a quer, a supor, a lutar…quantas? Talvez nenhuma delas valha, porque nada me prende e nada me empurra. Basilar, meu caro amigo, primordial diria mesmo. Não sei para onde ir, ansiando apenas partir, talvez sem destino mas com todo o propósito de ser e encontrar. Concordo com o poeta quando diz que “arriscar é perder o pé e não arriscar é perder uma vida”… E gostei da “Pandora” de planopias de empurrões que me ofereces-te, na plenitude da tua inveja saudável e das tuas reticências silenciosas. Das tuas ideias respeitosamente analisadas e criticadas. Talvez ainda me/te consiga surpreender quando esses empurrões me levarem a mostrar quem sou e me contenham de fugir de mim.

publicado por bailys às 22:23

Outubro 13 2008

Já não sou a mesma…também mudei e nem dei conta disso, talvez no momento que deixei de querer o que sempre desejei o que fui aprendendo a gostar…já não sou eu que em tempo de outrora te amei, te desejei, te implorei, te prendi…já não sou a mesma que queria, que sonhava, que desejava, que lutava…eu dava a vida por ti…e morria por dentro sem admitir…já não sou a mesma…noto isso quando olho para ti, mas principalmente quando me vejo nos tempos de trás…na realidade nunca te aceitei como eras, nunca foste o que eu queria, não acertei, não consegui, não deixei de lutar, não consegui deixar de mudar, de ser a mesma ainda quando estava contigo…não me derrubavas no entanto sempre me deixas-te lá, no limite das sombras de onde o sol não me apanhava, pois bastava saber que a tua chama estava sempre acesa para mim…mudei bastante, continuo na realidade a mesma, mas quero e desejo algo bem diferente, algo bem real, algo melhor…não me dizes nada de mais a não ser de um passado que me ajudou a ser quem sou e quem fui…porque na realidade já não sou a mesma e isso explica porque deixas te de gostar e porque deixei de querer…porque efectivamente já não sou quem fui…quem nunca mais voltarei a ser…já não sou a mesma que encontras-te e que eu redescobri.

publicado por bailys às 20:49

Outubro 13 2008

TU

 

Tocas te me, sem me sentires, sem te querer. Mexes te comigo apenas com a tua presença, com o teu olhar para o qual poucas vezes consegui contemplar. Não se explica eu sei, apenas se sente o incomodo que por estranho que pareça nos faz duvidar dos outros interesses forçados. Pouco falaste, de ti nada sei e fizeste me perceber que de mim pouco continuo a conhecer. Evaporas te o meu sono para os teus pensamentos, para o teu jeito de ser e de me atordoar. Como se a tua presença me fizesse ser diferente com medo de discretear e expor a minha inquietude. Com receio de mostrar o que não sei definir, o que evito cessar, o que acautelo inaugurar. Assim, com o teu modo de ser para o mundo, para o universo, onde contemplo a fantasia de uma realidade melindradamente adiada ou inexistente. E assim como tudo, passará…assim…sem te ter, apenas a te encontrar….

 

publicado por bailys às 20:47

Maio 12 2008

Como se estivesse embriagada por um cansaço sonâmbulo mascarado de pecado. Como se andasse sem me mexer, com vontade de fugir. Horas sem definição, projectos sem finalidades, caras sem expressão, rostos sem clareza.

Um tempo marcado por insignificâncias que o futuro vai fazer evocar. Assim, sem limites, cigana da minha própria fantasia, nómada da estrada cheia de obras onde a licença não tem prazo de validade. Gasto os minutos que perco, usando-os para me fazer gente, para me saber conhecer, para me dar ao mundo. Sensações indefinidas, pujantes, estanques, assustadoras. Como se estivesse lúcida na embriaguez da existência que jamais serei. Assim, moída pela falta de oportunidades para engrandecer a minha pessoa.

 

publicado por bailys às 14:16

Abril 26 2008

Já sonhei alto e contemplei a falta de quimeras.

Já fui jovem e todos os dias me tornam mais crescida.

Já chorei por ilusões e desejei o que não gosto de ter.

Já quis ser mais velha e ter ao mesmo tempo menos idade.

Já jurei e acreditei no que praguejava.

Já viajei a sítios onde nunca pensei estar e já estive em locais onde nunca desejei passar.

Eu já encontrei pessoas importantes que recordo com carinho e outras que me encontraram sem eu esperar.

Eu já realizei desejos secretos e confirmei ideias erradas.

Eu já dei a surpreender e já fui decepcionada.

Eu já limpei lágrimas a quem me fez chorar e ofereci sorrisos a que me queria magoar.

Eu já fui conquistada e dei a conquistar.

Eu já cansei de tanto andar, parada no deserto onde me coloquei a observar.

Eu já fui tonta ao olhar para o céu e não reconhecer a fulgência dos astros.

Eu já quis desaparecer e não me encontrar.

Eu já quis desistir com vontade de lutar.

Eu já quebrei beijos e parti abraços.

Eu já deixei de ser eu para agradar a outros.

Eu já perdi na derrota e já fui a primeira na dor.

Eu já imaginei mil e uma coisa e por aquilo que passei, excepcionalmente cogitei.

Eu já tive no limite acreditando que era o fim da linha.

Eu já discuti, gritei, lutei, acomodei, presenciei, aprendi.

Eu já cometi desatinos eu já provei destemperos.

Eu já amei, adorei, gostei.

Eu já fui e pedi de mais de mim.

Eu já odiei, detestei, desgostei.

Já morri sem poder morrer, já ressuscitei sem poder assimilar.

Eu já sacrifiquei o tempo com figuras suspeitas na expectativa de valores.

Eu já debati assuntos que hoje não me interessam.

Eu já fui enganada e já me enganei.

Eu já fui quem não sou, quem nunca cheguei a ser.

Eu já fui ver, ouvir e opinar.

Eu já critiquei, desdenhei, passei, envergonhei, banalizei.

Eu já me superei, eu já perdoei.

Eu já tentei, já adoptei e até já implorei.

Já cai, já levantei e já ergui.

Eu já vivi…

publicado por bailys às 11:55

Fevereiro 11 2008

Ando sem sentimentos, que me fazem sentir pesada e me impedem de aproveitar ao máximo a vida em cada momento que vou construindo. Como se apenas cada instante importasse sem lamentações ou ansiedades. Sem convicções ou esperanças. Não é que não sinta, o segredo está precisamente em sentir de mais, em sentir tudo e em não querer nada. Como se agora me tivesse libertado de tudo aquilo que me prendia. Não importa para onde vamos mas sim o caminho que escolhemos. O orgulho faz-nos perder e a ilusão desperdiçar a vida. Porque me chamam de maluca? Porque não quero morrer santa…

publicado por bailys às 16:34

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