Março 03 2007

Como se cada vez acreditasse menos nas relações amorosas, sempre que sei que mais uma não deu certo, não foi eterna, não foi diferente. E ultimamente tenho deixado de acreditar com mais força, talvez porque tenha sabido de várias relações amorosas que deixaram de ser, que deixaram de existir. Talvez seja errado imaginar que a convivência seja para sempre, mas acredito ser esse o conceito que nos leva a trocar a ilusão pela vontade de tentar e de viver. Pela vontade de lutar e vencer. Pela necessidade de amar.

O que se passará? O que mudou dos nossos antepassados, impostos muitas vezes a uma tristeza eterna compartilhada para a vida toda, com a nossa história actual, onde poucos se esforçam a fortalecer o outro? Onde “companheirismo”, é palavra rara, numa convivência egoísta e solitária? Como se apenas a nossa vontade importasse, numa espécie de uso próprio, de satisfação pessoal. Por onde se perderam os conceitos, o entendimento, o humanismo? Em que mundo vivemos, como confiar? Os silêncios, os maus tratos, as ilusões, os mistérios, os incómodos, as desconfianças, as razões desconhecidas... afinal o que fazemos, o que fizemos com todas as nossas relações? Demos o nosso melhor? Recebemos, lutamos, desistimos? Sonhamos ou acomodamo-nos? Porque custam assim tanto as relações, se todos as querem viver e experimentar? O que fica de cada uma delas? Como ficamos nós? Paraliso decepcionada, com cada casal que não conseguiu prolongar a sua felicidade no tempo que foi construindo, que foi (con)vivendo, que foi amando. Como se nada valesse, apenas um antagonismo relembrado nas memórias forçosamente apagadas e esquecidas do álbum de recordações, onde já só existe lugar para um. Avançam todos à procura do que já encontraram ou serão apenas caminhos a percorrer para colidir com o verdadeiro afecto? As individualidades são complicadas, é certo, e as relações, fruto das mais variadas combinações entre as pessoas, não poderão com toda a certeza serem rudimentares e banais. Gostar e deixar de gostar, mudar e ser igual, querer e já não desejar, imaginar e viver, tentar e desistir...se nós mudamos a cada dia que passa, será impensável e até incoerente, pedirmos ou desejarmos, que as relações amorosas sejam para sempre iguais ou que simplesmente sejam para sempre (como se algo fosse eterno). E a sociedade de hoje, na sua brevidade de avidez de agitação e destaques, oferece um leque tão diversificado de fogaças, que muitas das vezes somos encadeados e manipulados a experimentar o que nunca escolheríamos para nós. Vamos pela corrente de uma maré que nada tem de calmaria ou alento. E navegamos perdidos de nós próprios por medo de lutar e sempre com vontade de desistir. Deixamos o esforço de lado, porque tudo passou a ser natural e demasiadamente fácil, para ser saboreado ou apreciado. Os valores mudaram, os ideais converteram-se e a valentia e a bravura abandonaram o cenário, onde muitos guerreiros lutaram e venceram o egoísmo, o individualismo, a intolerância, o silêncio, as dificuldades e as decepções. Onde muitos apaixonados se renderam ao amor e cresceram como companheiros(as), amigos, e confidentes...onde muitos guerreiros cresceram com as relações. Onde felizmente ainda, muita gente continua a conquistar todos os dias a sua cara metade e a (de)mostrar o que são as verdadeiras relações de amor, respeito e intimidade. Pessoas que parecem e outras que são, amores possíveis ou improváveis, convivências falhadas ou conquistadas, liberdades prendidas, corações apaixonados ou juramentos desconhecidos...importa mesmo destacar, que incontestavelmente saudável e valiosa, continua a ser toda a relação amorosa, que mesmo depois de vencida e contrariada dá espaço a pessoas maduras e crescidas, capazes de transformar em pedaços de amizade e afecto, os estilhaços farpados da afinidade extinguida.

publicado por bailys às 10:11

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