Novembro 28 2007

O mundo em que vivemos, o mundo que foi construído para os perfeitos, para todos aqueles que não existem. Porque a perfeição está cada vez mais longe do nosso alcance, apenas visível nas miragens que insistimos em sentir. Um mundo pouco amável, muito egoísta e nada solidário. Um mundo onde os olhares castigam, incomodam e desprezam. Um mundo onde cada um de nós tem muito de incapaz, de inapto, de incipiente.

 

Todos os dias, dizem os mais sábios, passa um dia, e com ele a oportunidade de aprender e oferecer o melhor de nós a quem não tem a oportunidade de demonstrar o quanto sabe e pode ensinar. Pela coragem, pela vontade, por todos os obstáculos que nós, sociedade, insistimos em presentear. Poucos se lembram e quase todos se esquecem da ínfima condição humana, nada previsível e real para cada um de nós. Imaginamos que tudo nos passa ao lado, atingindo quem não nos toca, desconhecidos circunspectos em números e estatísticas, reflectidos em jornais. Não admitimos podermos ser nós sempre que entramos num carro ou atravessamos uma rua. Pobres mortais que ingenuamente nos afastamos ao tentar ignorar quem tem mais alento do que nós.

 

Um mundo sem condições onde a deficiência está presente nas mais variadas formas mentais e físicas. Nas mais variadas atitudes, mentalidades e preconceitos. Nos mais variados estilos. Como se nós, um pouco mais capazes, não podessemos a qualquer momento e a qualquer instante sermos menos aptos e competentes. Porque mais do que ensinar, temos aprender com quem por motivos ainda inexplicáveis, ficou com menos oportunidades para mostrar do que é capaz.

 

E viver num mundo tão cruel, com limites e handicaps, como vivemos, é talvez o maior dos obstáculos para todos aqueles que insistimos em ver através das bengalas, das cadeiras de rodas e dos preconceitos. Como se deixassem de ser humanos, com gostos e preferências, com vontades e decisões. Como se deixassem de ser homens e mulheres e passassem a ser apenas pessoas com deficiência sem qualquer valor ou inteligência. Como se nós não vivêssemos assim na “corda bamba”, onde os menos afortunados nos dão que pensar. Como se estivessemos livres de cair, onde os outros encontraram o alento e a força para lidar com a sociedade que nós insistimos em modelar com base no irrepreensível desconhecimento de que cada um pode a qualquer instante, deixar de pertencer ao mundo que insiste em criar. 

publicado por bailys às 17:04

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