Abril 21 2007

Fotografia, retrato, descrição, exposição, definição...alma, espírito, momento, memória, recordação, mágoa, saudade, eternidade. Definir a fotografia, todas aquelas que nos tiraram e onde sem saber permanecemos, parece tão banal e fácil como o simples acto de clicar e sorrir. De olhar e fazer posse, de dizer “ahh”, para ficar a estrelar, mesmo que o coração não esteja a brilhar. As fotografias são eternas e perpetuam por isso no tempo, todos os momentos que de alguma maneira ficaram registados na nossa memória ou na nossa máquina de imagens e retratos. Como se por vezes o nosso estado de espírito também ficasse para sempre estático, ali no álbum que fomos fazendo ao longo da vida. Às vezes a sorrir olhamos o nosso choro e por vezes a chorar contemplamos os sorrisos de tempos de autora. Espantados, nostálgicos, pensativos, acabamos por viajar dentro das imagens que o passado no oferece e que para sempre permaneceram assim. Mesmo com o passar do tempo, assim, estáticas e eternas descrições do nosso ser, num momento, numa determinada altura da vida, que a máquina fez questão de eternizar, para sempre. Muitas das nossas imagens, onde o sorriso é quase uma obrigação, nem sabemos por onde andam, talvez nos álbuns de amigos, que nem se lembram de nós, talvez a viajar no mundo pela mão dos turistas que por um acaso também nos registaram nas férias atrás de um monumento ou paisagem. E lá andamos nós, espalhados pelo mundo real ou imaginário, de quem faz questão de olhar e admirar o momento antigo e relembrar a circunstância única arquivada no tempo.

Como se fossemos isso mesmo, pedaços de imagens, caixilhos de momentos, memorais estáticos, descrições em construção, radiografias de almas, comparações de estações onde o tempo não parou de contar. Agradável ou enfadonha, bela ou deselegante, boa ou má, a fotografia é o registo mais puro do que fomos e do que vivemos eternizado para sempre no nosso olhar. Se soubéssemos como seria, talvez tirássemos mais fotografias, mais imagens, mais recordações, mais momentos eternos e estáticos, sem nunca parar de andar e sorrir. Talvez em cada fotografia fiquem “pedaçitos” do nosso ser, do nosso sentir, daquilo que fomos e fizemos. Talvez recordar nos álbuns o nosso passado com nostalgia, seja pura perda de lamentações, porventura sorrir do que passou sejam apenas ilusões, talvez, talvez, talvez...só mesmo eterno no tempo e nas memórias de cada um, a fotografia sobreviva a cores ou a preto e branco numa mistura de emoções e sentidos registados no espírito de quem a tirou e de quem se deixou ser apanhado. Provavelmente se soubéssemos tratar melhor de nós, não precisaríamos das fotografias para recordar, mas apenas para marcar os momentos que se tornam especiais, por lhe dedicarmos mais tempo ou mais atenção. É que mesmo sem a máquina, todos os dias arquivamos mais algumas imagens e mais algum tempo, que por qualquer motivo não soubemos eternizar, na roda viva em que andamos sempre a clicar.

Registos, monumentos, paisagens, pessoas, acções, sorrisos ou misérias, o foco de cada máquina apenas alcança o que a nossa visão souber olhar e o nosso espirito entender e perpetuar. Porque seremos para sempre eternos, na memória fotográfica daqueles, que nos souberem recordar.  

 

 

publicado por bailys às 10:32

Abril 04 2007

Todos temos realmente pontos de vista bem diferentes e distintos. Mais apreciados, merecedores de discórdias ou discussões, elogiados, admirados ou simplesmente desdenhados, os pontos de vista, pensamentos traduzidos em palavras e gestos, são o reflexo do que sabemos saber e daquilo que bem ou mal vamos transmitindo ao outro, que vai conhecendo e compreendendo ou não, aquilo que somos. Claro que mais importante do que ser é sentir, e por vezes os pontos de vista, tal como muita coisa na vida, não se percebe acabando apenas por se sentir.

Somos o que vivemos, o que aprendemos, o que vemos, o que retemos, o que gostamos, o que fazemos, o que mostramos, o que sentimos, o que pensamos, somos e possuímos pontos de vista. Por vezes perto, por vezes longe, olhamos sem ver e passamos sem continuar a perceber e a sentir ou respeitar o outro, só porque é diferente, tal como cada um de nós. E catalogamos os pontos de vista, o tal cartão de identidade que nos faz seleccionar, quase que por necessidade cada pessoa que vai entrando ou saindo da nossa vida e dos nossos horizontes. Assuntos, perspectivas, diferentes ângulos e realidades, sem importar transformar, mas antes ouvir para tentar compreender, sem julgar ou augurar. Afinal tudo o que é diferente, merece destaque, se não vejamos. Porque gostamos tanto das misturas? Sim, das misturas das diferenças? A mistura de sabores, de cores, de sons, de culturas, de cenários, de roupas, de gostos, de imagens, de cheiros, de letras, de raças...e não serão os pontos de vista reflexo das nossas misturas quotidianas? Dos nossos embrenhados de sensações e visões? Não serão os pontos de vista, apenas os cenários que vamos construindo com o palco que nos dão, todos os dias? Realidades diferentes, gostos e desejos desiguais, pessoas distintas com perspectivas actuais, oportunidades independentes, interesses fundamentais. Talvez nem faça sentido, mas são apenas pontos de vista, num mundo onde nada é igual. E por vezes para se ver de perto com toda a nitidez é importante e imprescindível olhar de longe, mirar afastado. Para se avançar é quase sempre melhorar recuar.

Pontos, acções, assuntos, argumentos, apoios, atenções, vistas, advertências, aparências, desígnios, diferenças, opiniões, soluções, perspectivas, realidades, aprendizagens...

...nem tudo o que é diferente é banal, nem tudo o que é igual é natural, mas são apenas pontos de vista, parecidos, iguais ou diferentes dos teus...porque todos somos na verdade, pessoas bem distintas e até mesmo semelhantes. As pessoas inteligentes, costumam falar de ideias, as comuns costumam falar sobre coisas e as pessoas medíocres falam sobre pessoas...mas afinal, e como diz Marcel Proust, “a verdadeira viagem de descobrimentos, não consiste em procurar novas paisagens, mas sim em ter novos olhos”, acrescentaria, em ter na verdade novos olhares, novas conversas e ideias, novos pontos de vista.

 

publicado por bailys às 14:20

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