Abril 25 2012

Se me pudesse denunciar, diria que a mágoa que sinto nada mais é do que repetições adiadas de um passado presente. Ilusões vividas na esperança de serem últimas. Decisões e conquistas que nunca são minhas, que me abalam na rua da vida, na calçada das angústias, na estrada do desengano. Foi ilusão, foi um olhar, uma agitação sem calmaria, expectativas incómodas, emoções desmedidas, foram risos e luares, abstrações e perspectivas, esperanças e ilusões num tempo que esperava ser meu. Mas hoje como sempre não te consigo encontrar e continuo perdida sempre que a imaginação me faz reconhecer que o tal tempo que passa, apenas me leva o que passou.

publicado por bailys às 18:05

Dezembro 28 2011

Quando me iluminas

Com o teu olhar

O mundo pára

E tudo se agita dentro de mim

 

Fico estática

A imaginar o que poderá ser

O que desejava que acontecesse

O que quero descobrir

 

Na expectativa de mais um olhar

De mais um arrepio

De mais um incomodo saboroso

Que quero que fique para sempre

Enquanto durar

 

Quero estar longe

Para puder reviver sozinha

A tua falta, os teus olhos

O quanto me atordoas

 

Anseio por um sinal

Com vontade esbaforida

Por mais uma mensagem

Por palavras que quero ler

Por emoções que quero sentir

Por tudo o que me dás

Sem te pedir

 

Será ilusão?

Será esperança?

Não sei, mas gosto do que me dedicas

Do que estou a redescobrir

Contigo, comigo, connosco

Aqui, ontem e hoje

Neste tempo onde não julgava ser meu

E onde paro no teu olhar

publicado por bailys às 21:42

Dezembro 17 2011

Deram-te asas para voar

Sem nunca saberes porque

Ferida, pisada, dilacerada,

Frágil, sempre a quebrar

 

Roubaram-te anos de vida

Mas sobretudo pedaços de ti

Segredaste, guardaste, amargaste

Mas hoje chegaste, até aqui

 

Gritaste por dentro com dor

E com sangue a propalar

Agarrada apenas ao tormento

Que te queriam consagrar

 

Voas mais do que afiguras

E com mais força do que estimas

Humana, Mãe e Amiga

Guerreira, Lutadora, Mulher

 

Asas feridas, choros por conter

Chutos para te pôr de pé

Porque as pedras que te laceraram

Foram as que te ensinaram a ter fé

 

Hoje estás aí, como se nada fosse passado

Porque é o que recordas e não desprezas

No teu dia-a-dia desinquietado

Que te faz relembrar na vida:

 

Que perdoar não é esquecer

Que conviver não é humilhar

Que amar não é matar

Que consentir não é cessar

E que viver não é roubar

 

publicado por bailys às 14:40

Dezembro 14 2011

Pedaços de alma

Eternos, renovados

Buracos por desfiar

 

Encontros superados

Desejos desmontados

Imagens por criar

 

Cópias transladadas

Novelos por desvendar

Segredos partilhados

Gostos por revelar

 

Procuras incessantes

Partidas constantes

Sem nunca navegar

 

Pedaços, bocados, nacos

Distantes, repartidos, fragmentados

Que já consegui defrontar

 

E que sempre que evoco

Me fazem recordar

 

Que a maior perfeição da vida

Não está no querer chegar

Mas saber gozar a viagem

Enquanto esta durar

 

publicado por bailys às 11:15

Setembro 23 2011

O meu e o nosso, aquele que gira sem parar e nos faz sentir estáticos com os poucos avanços que faz. O mundo, aquele que eu crio e que acredito existir para lá das fronteiras do meu olhar, da minha imaginação. Uma roda-viva que me leva sem parar a onde não quero advir. Mundo, pedaço de mim numa distancia de ti, do plano que gira, da roda que saracoteia, das pernas para o ar que me faço sentir, por onde caminho sem parar. Não vou encontrar, apenas saborear, fazes parte das minhas análises mais profundas, das minha mágoas, do meu olhar esperançado sem expectativas, só com reminiscências, índoles e lembranças. O meu mundo está a umas horas de ti e nunca esteve tão longe de nós. O meu mundo será sempre o teu, mesmo que ele pare de girar, caminharás comigo em cada olhar e em cada passo, no contorno do horizonte. O mundo, aquele que eu quero está a umas horas de mim e lá estarei contigo na caminhada do redondo da plenitude da vida. O meu mundo nunca mais será só meu, mesmo longe e sem contabilizar os anos, farás inevitavelmente parte dele, do que passou e do que estará para vir. O mundo, o planeta, o universo, a gente...

publicado por bailys às 20:16

Novembro 19 2010

Estás aqui, sempre estiveste, a toda a hora, em todos os dias. Fazes parte do que fui e do que sou. Passas por mim, selando-me do que não quero ter, agrafando-me a frio, com uma sensação de dor gostosa. Não é o que me dás, quando te vejo a partilhar a cumplicidade que transformei em pó, não é o que me dás, quando me ofereces e relembras que fui suprida, é o que me fazes explicar, quando tento perceber que não é o que me dás, que me paralisa, mas o que me paralisa, quando me dás. Não é carne, não é posse, não é partilha, não é desânimo, é uma mistura de tudo o que não é isso. É uma coisa maior, mais alta, mais limpa, superior, para além dos cheiros apetecíveis, das imagens guardadas, do paladar perfumado, das pessoas que invento. É a ligação de uma alma, de uma história, de uma procura, de um encontro. É a sombra, é o quente, é o doce, é a dor, é a existência, és tu. Inferno, linha, repleção, intrincado mistério, de que à muito deixei de perceber, de querer entender, de aceitar. Um dia, paralisarei na minha postura de cristal, quando voltar a cair e não me apanhares. Repetição? Ciclos?  Recapitulação? Etapas? Vivências ressentidas, experimentadas, passadas, renovadas, onde não te vejo a toda a hora, em todos os dias, mas onde faço parte do teu trilho, do teu caminho, do teu olhar.

publicado por bailys às 21:46

Maio 04 2009
Não foi calmaria, é tempestade. Inóspita, tormento de evitações e desabafos. Foram repetições do mesmo que mudaram o meu horizonte, o meu cenário e até a forma bisada de como me voltei a sentir, a estar e a pensar. Sensações revoltantes de uma plenitude interior onde me recuso a voltar mas onde me forcei a ficar mesmo que temporariamente, nos últimos tempos. Força vinda da vida que me fui oferecendo e que marcadamente me fez ser quem sou. Que me obrigou a não desistir do vento e do sabor a sal que correu insosso e verdadeiramente arrepiante. Contido, amarrado, sem disposição ou forma para sair, rolante, salgado, agridoce. Como um peso de um mundo onde não quero estar e onde reclamo não conseguir gerir. Enxovalho sentido com forças que não tenho e que não fui ganhando. Longe demais no abismo que se foi criando, perto de mais no limite que não se pode pisar, equilibrar, desprezar. Condutas interiores com pilares suspensos, com ideias enraizadas, com desejos persistentes. Desconsolada, incapaz, decepcionada, solitária, a jogar sem peças e sem vencedores, sem as regras que insistimos em esquecer no papel, sem perdedores, só com perdidos. Pontos extremos que me levam pelo remoinho, onde por receio de entrar não consigo sair. Olhar longínquo de fantasias e quimeras, com presentes enjeitados e passados olvidados. Tentativas capazes, postas à prova num esforço de idoneidades, de tonturas, de vaidades. De fracassos, de misturas, de empecilhos, de vontades.
publicado por bailys às 12:07

Fevereiro 15 2009

 

E construímos mais um bocadinho, dando significado a mais uns dias, a mais umas horas, a mais umas histórias estigmatizadas com sorrisos, com carinhos, com ternuras, com desejos. Contemplados pelo sol, pelo mar, pelo vinho, pelas risadas, pela imaginação que se foi tornando realidade, pelos cheiros que misteriosamente se tornam referencias, pelos outros que na realidade parecem não estar lá, onde tudo é nosso através do olhar e do toque de pele. E selamos as horas que passaram só connosco, só para nós, só, sem pressas, sem tempo para terminar, para acabar…memorizadas no cenário onde nos vamos encontrando e redescobrindo…lá onde só a luz da chuva e o escuro do sol se fazem opinar…lá onde os dois podemos estar e sentir tudo o que há muito tínhamos perdido, esquecido, abandonado. Como se o mundo não existisse e ao mesmo tempo o tivesse conquistado contigo, por mim, para ti, connosco. Já não és só tu, já se preenche o vazio, já não sou só eu, já se completa o desabitado…Agora já somos nós. Porque não tenho outra forma de te agradecer… a não ser continuar a fazer das horas configurações de mais uns bocadinhos e dos bocadinhos continuamente horas de construção.

publicado por bailys às 17:40

Fevereiro 09 2009

 

Como se não me soubesse desvendar, deslindar, patentear…como se tudo fosse novo, repetição do passado com cenários e actores nunca antes imaginados. Como se não fosse eu, que tanto quis descobrir, reviver, esquecer…momentos que marcam e se relembram nas memórias de um dia-a-dia que nada tem de passageiro, de repetido, de desigual…historias que não saberia classificar, catalogar, identificar. Actores de um palco onde sinto o que à muito não tinha esquecido. Não sei bem, não saboreio igual, não vejo da mesma forma. Um estranho formato de gritar e de conter o silencio que se liberta em gotas salgadas que o rosto vai secando. Reconhecimento, sofrimento, valorização. Pouco mais do que isto, e estou assim mais uma vez no inicio, no ponto de partida, sem saber onde ou quando chegarei à meta, ou o que ela significa. Porque nem todos os dias são para celebrar mas todos eles são para contemplar… e sinto me assim perdida dentro do caminho que fui construindo para mim, numa velocidade inconstante e incontrolável. Num trilho onde a luz voltou a surgir e o vazio se preencheu, onde não me sinto sozinha mas apenas e sempre comigo e com quem me puder acompanhar.
publicado por bailys às 19:17

Janeiro 06 2009
Perco me em pleno dia de trabalho na vossa direcção, ansiando que o mesmo termine sem propósito aparente. Estou confusa num misto de sentimentos que me acompanham como uma sombra na escuridão em que me coloquei. Sombras de pensamentos e sentimentos nunca anteriormente tidos em conta, cuja contagem me cansa pela repelência incansável de paragens. Não imaginava, nem podia supor… que a direcção fosse esta, sem rumo, sem lemes, tempestade que se avizinha onde não sei se quero entrar. Por não saber onde me vai levar mas principalmente por ter medo de partir nela com ela, comigo. Será justo? Terá sentido? Não são trilhas mas vão com certeza lacerar quando a tempestade se abrir…e se sentir… relâmpagos que espero me iluminem no meio do temporal onde já me encontro…
publicado por bailys às 15:42

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